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Setor Privado: Sobre a Campanha Salarial 2019/2020

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Colegas do Setor Privado,

após 5 meses de negociação, o sindicato dos empresários de TI, o SEPRORGS, apresentou uma proposta para a Campanha Salarial 2019/2020 na 7ª mesa de negociação, que ocorreu em 6 de Março de 2020. Antes disso, a patronal havia trazido apenas a contrapauta dela na primeira mesa, ainda no final de Outubro passado. Conseguimos iniciar as negociações antes da data-base (1º de Novembro) na tentativa de fechar um acordo logo, mas não foi o que aconteceu.

Na contrapauta feita em resposta à pauta de reivindicações da categoria, os empresários defenderam 12 alterações na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) e impuseram negociar os itens todos juntos em bloco. A postura do SEPRORGS significava, na prática, que para termos os salários e os benefícios corrigidos na data-base, o Sindppd/RS teria que aceitar as mudanças que os empresários queriam na Convenção. O que o SEPRORGS almejava com isso? Pressionar a categoria  para que fizesse com que o nosso sindicato negociasse a perda de direitos, tendo em vista que os trabalhadores necessitam da recomposição salarial e dos benefícios.

A patronal se posicionou desta forma porque a redução dos direitos dos trabalhadores da TI significaria um ganho econômico maior para os empresários do que o “custo” que eles têm de reajustar os salários e os benefícios em 2,55% (INPC). A proposta do SEPRORGS incluía reduzir o adicional noturno para os 30%, na lei está previsto 20% (na nossa Convenção está em 60%); diminuir o quinquênio de 5 para 3; regionalizar os pisos salariais e o auxílio-alimentação, criando valores diferentes para quem trabalha em Porto Alegre/ região metropolitana e para quem está no interior do RS, o que resultaria em redução nos valores; ampliar o banco de horas; e acabar com as homologações das rescisões dos trabalhadores demitidos no Sindppd/RS e com a ultratividade (garante que a CCT valha até que uma nova seja assinada).

Frente a esta situação, o Sindppd/RS não aceitou a imposição do SEPRORGS, que significava uma retirada brutal de direitos. Nos mantivemos abertos a negociar, buscando preservar os direitos da Convenção e tentando avançar em temas importantes para a categoria como a jornada de 40h e outros itens: a reposição da inflação do período (2,55%) nos salários e nos benefícios, algum ganho real, retirada do teto para o auxílio creche e ampliação de mais um ano na vigência do benefício (até a criança fazer 6 anos e não 5, como é hoje), reajustar o auxílio alimentação para R$ 25,00 e licença-paternidade de 20 dias.

Desde o final de Novembro de 2019 até agora aconteceram 3 mesas de negociação, com poucas mudanças. Na 6ª mesa, em Fevereiro de 2020, é que conseguimos ter avanços mesmo sem mobilização real da categoria nos locais de trabalho, resultando na proposta apresentada pelo SEPRORGS na 7ª mesa em Março: reposição da inflação (INPC) nos salários e benefícios, aumento real de 2% no auxílio alimentação (passando para R$ 23,00), auxílio-creche passa a beneficiar crianças de até 6 anos, manutenção de homologações no Sindppd/RS e da cláusula da vigência e possibilidade de jornada de 40h semanais para empresas que utilizem o controle alternativo de jornada. Em troca, os empresários exigiram a redução de 30% do adicional noturno, que conseguimos baixar e, ao final, reduzindo de 60% para 40%.

 

 

PROPOSTA PARA CAMPANHA SALARIAL 2019/2020 É A POSSÍVEL DE TER SIDO CONSTRUÍDA

A diretoria do Sindppd/RS considera que a proposta do SEPRORGS foi o possível depois de 5 meses de negociação. Sabemos que a inflação começou a subir e a crise econômica vai impactar ainda mais nas nossas vidas, mas conseguimos mais 2% para além da inflação no alimentação, que é um componente importante aos trabalhadores. Em relação ao auxílio-creche, outro item de peso que os colegas destacam, avançamos na idade da criança a ser beneficiada mas, infelizmente, o SEPRORGS não aceitou derrubar o teto, que restringe o acesso a este importante direito, mas a pauta permanece para o próximo ano.

A proposta garante que a Convenção Coletiva permanece vigente até que seja negociada outra, a partir de Novembro de 2020,até a mesma ser assinada. Esta cláusula da ultratividade é que está permitindo que a atual Convenção, assinada em 2019, ainda tenha validade mesmo já estando com o prazo de renovação vencido. Ainda conseguimos avançar um pouco nas 40h semanais.

Mexer no adicional noturno não é uma decisão fácil, mas consideramos ser a menos prejudicial entre todos os ataques que estavam sendo impostos pelo SEPRORGS inicialmente. Quem trabalha na madrugada sabe que os empresários querem alterar esta cláusula faz mais de 10 anos e o sindicato tem resistido.

No entanto, após a Reforma Trabalhista, a situação ficou muito mais difícil, e não temos hoje nenhuma categoria que tem adicional noturno de 60%. A grande maioria dos trabalhadores, inclusive os da TI em outros estados, recebe os 20% previstos na lei. Para tentar fechar acordo, o Sindppd/RS buscou ainda a menor perda possível nesta cláusula, pois o SEPRORGS queria 30%! Conseguimos manter em 40%.

Frente a esta situação econômica do país e a permanente dificuldade de mobilização, pedimos que os colegas reflitam bem e participem da assembleia de forma bastante consciente. Sem mobilização da categoria, pouco avançaremos nas mesas de negociação com o SEPRORGS. Outra possibilidade é ir a dissídio na Justiça, mas sem greve não conseguiremos, já tratamos disso em outras campanhas salariais. Em 2019 em São Paulo, centro econômico do país e da TI, o Sindpd/SP foi à Justiça para garantir o INPC nos salários e nos benefícios.

Rejeitar a atual proposta, construída após 5 meses de negociação, sem ter luta efetiva da categoria para pressionar por avanços pode arrastar a Campanha Salarial 2019/2020 ainda mais. Pensemos nisso e decidamos com responsabilidade, colegas!

 

 

SAÍDA É NOS ORGANIZARMOS E IRMOS À LUTA. VENHAM PARA A ASSEMBLEIA!

Está passando da hora de nos organizarmos e irmos à luta, colegas. É fato que o momento que estamos enfrentando é de retração econômica e de forte ataque dos empresários e dos governos para reduzir os direitos dos trabalhadores para compensar as perdas com a crise, portanto nossa principal tarefa é a de resistir para manter o que já conquistamos.

No entanto, faz mais de 10 anos que nossa categoria não tem conseguido grandes avanços, mesmo quando a economia estava bem. Por isso, precisamos nos organizar e irmos à luta!

Para isso, o primeiro passo é vir para a assembleia para conversarmos. O Sindppd/RS está analisando viabilizar, no futuro, uma maior participação dos colegas do interior. Mas para quem mora na Capital e arredores, pedimos que faça um esforço. Participe da assembleia!

 

 

Abaixo, segue edital:

200316EDITAL_ Campanha Salarial Privadas 2019_2020

 

 

ASSEMBLEIA DOS TRABALHADORES DO SETOR PRIVADO
16 de Março (2ª feira) – Às 19h
No auditório do Sindppd/RS (Rua Washington Luiz, 186 – Centro Histórico – perto do Gasômetro), em Porto Alegre

 

 

Sindppd/RS

 

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6 Comentários

  1. Felipe 13 março, 2020 - 1:16 à 1:16

    Não acredito, como vocês induzem e praticamente obrigam a aceitar uma negociação dessas, não estão nos dando nada, apenas tirando, se tivéssemos aumento real de salário, até poderia ser discutido, mas isso é uma afronta a T.I., não pode entregar a redução para 40% por nada, precisa ter algo concreto, tipo as 40 horas, depois não teremos com o que negociar, pensem nisso.

  2. sindppd rs 13 março, 2020 - 12:47 à 12:47

    A mesa de negociação está muito difícil, já explicamos nas notas do sindicato e a situação econômica do país está sendo usada pelos empresários para tirar direitos, simples assim. Nenhuma catergoria e mesmo empresas da nossa categoria, Serpro, Procergs, Procempa estão conseguindo sair ilesas das negociações, todas estão tendo que negociar algumas cláusulas para poder manter outras, no Serpro perdemos 30% no adicional noturno, na Procempa vamos para o 4º ano sem reajuste nos salários. Na Procergs também teve impactos.

    As 40h já tentamos de todas as maneiras possíveis, desde fazer de forma parcelada, jogar para o ano seguinte etc, mas os empresários NÃO aceitam, a unica coisa que conseguimos foi colocar a exigência das 40h para empresas que quiserem utilizar o ponto alternativo, mas só fora da sede da empresa. Foi isso que conseguimos além de algum ganho real no auxílio alimentação e um anos a mais no auxílio creche.

    Não é questão de induzir e sim ver as alternativas que temos no momento, infelizmente sem uma mobilização forte de toda a categoria e uma greve para irmos para dissídio não vemos outro caminho e mesmo com dissídio o judiciário não tem sido a melhor solução. O quinquenio conseguimos manter e é para todos os trabalhadores, o mesmo aconteceu com a cláusula da vigência

    • Felipe 13 março, 2020 - 19:20 à 19:20

      Mas não precisa aceitar essa proposta, não é porque os outros perderam que nos temos que perder, e tantas vezes que eles ganharam e nós não. Na minha opinão não devemos entregar sem ganhar nada, desculpa, mas 2% no vale refeição é totalmente fora da realidade.E sim, o texto que vocês escreverão estão claramente dizendo que não temos escolha ou seja induzindo a aprovação. Teremos uma Live da assembleia pelo menos?

  3. Roberto 13 março, 2020 - 18:47 à 18:47

    Essa postura do sindicato de induzir a perda de direitos é sem dúvida vergonhosa. Ganho 2.55% de aumento e perco 20%.???? Matemática fantástica para os patrões. E o sindicato quer colocar em pauta uma vergonha dessas? Nos últimos 10 anos ganhamos que me lembre uma única vez um aumento real. De outra forma só perdas, e perdas …Simplesmente não dá para aceitar isso. Não é questão de luta, de mobilização.. É bom senso. Todos os comentários são contra essa vergonha. Tai a mobilização!..

  4. roberto 15 março, 2020 - 18:35 à 18:35

    Essa postura do sindicato de induzir a perda de direitos é sem dúvida vergonhosa. Ganho 2.55% de aumento e perco 20%.???? Matemática fantástica para os patrões. E o sindicato quer colocar em pauta uma vergonha dessas? Nos últimos 10 anos ganhamos que me lembre uma única vez um aumento real. De outra forma só perdas, e perdas …Simplesmente não dá para aceitar isso. Não é questão de luta, de mobilização.. É bom senso. E bom senso deve partir do sindicato. Todos os comentários são contra essa vergonha. Tai a mobilização!..

  5. Gilberto 16 março, 2020 - 15:29 à 15:29

    Boa tarde!

    O sindicato que me desculpe, mas 2,55%, não paga nem o meu dia de contribuição sindical. Lembro de apenas uma única vez ter um aumento em torno de 10%. Fora isso, só esses reajustes vergonhosos que nos oferecem. Totalmente desanimador. Um sindicato da área de tecnologia, deveria ao menos elaborar um método online de votação. Acredito que a maioria não queira essa proposta.

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