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PROCEMPA - Aumento real de 5% para valorizar trabalhador PDF Imprimir E-mail
Notícias
Escrito por Raquel Casiraghi   
Seg, 14 de Dezembro de 2009 07:55
Terceiro texto da série feita pelo Sindppd/RS sobre a pauta de reivindicações da Procempa. O primeiro texto abordou os índices econômicos e, o segundo, a redução da jornada de trabalho (confira aqui).

Reivindicar um aumento real de 5% pode parecer, em um primeiro momento, demasiado, se levarmos em consideração os argumentos usados pelas empresas em relação aos orçamentos. No entanto, é um índice bastante justo para os trabalhadores da Procempa e, por isso, consta na nossa Pauta de Reivindicações.

O governo Lula alardeia que a crise econômica não passou de "uma marolinha" no Brasil, que já está superada e que o país voltou a crescer. Os empresários, por outro lado, continuam usando a crise e seus efeitos para não atender as reivindicações dos trabalhadores. E no meio das duas versões, os trabalhadores se mostram indecisos se devem ou não reivindicar aumento real nos salários.

As empresas, verdadeiramente, não têm sofrido os efeitos da crise. Os empresários dos vários setores adotaram medidas de ataque e flexibilização dos direitos trabalhistas. Transferiram a responsabilidade da crise para os trabalhadores, e, assim, preservaram seus lucros. Portanto, não há lógica em dizer que as empresas não estão em condições de dar aumento real. Faltam recursos na saúde, educação, habitação, enquanto os lucros do capital são garantidos com recursos públicos.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (DIEESE) indica que a maioria das categorias de trabalhadores está conquistando aumentos acima da inflação, em 2009 (78% dos Acordos). Na indústria, 83% dos reajustes foram superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O atual momento permite que a Procempa dê aumento real nos salários

O discurso do Orçamento deve ser respondido, mostrando que os trabalhadores conhecem a realidade da empresa e que sabem que o setor de TIC é um dos que mais têm lucrado no Brasil. Esse rendimento está associado a ganhos de produtividade, o que pode ser visto pela geração medíocre de emprego (não realização de concurso público) e pela ampliação do trabalho precário (terceirizados e estagiários). Ou seja, são menos trabalhadores concursados, produzindo mais e garantindo uma lucratividade espetacular, sem que isso tenha a contrapartida da valorização salarial.

Já ganhamos o IPCA integral (4,17%), mas, por causa da lentidão de tal aprovação (a empresa já devia ter se preparado para pagar ao menos o reajuste), penaremos por receber o de novembro somente em janeiro e o 13° salário, somente em fevereiro.

Os trabalhadores da Procempa também sofrem com o PCCS desatualizado, há mais de 15 anos, fazendo com que muitos colegas estejam no mesmo nível há anos, alguns até com o mesmo inicial. Neste sentido, os 5% de aumento real que pedimos compensaria parte das perdas que temos com o atual PCCS.

Em assembleia, deliberamos por compor uma forma de ganharmos os 5%, qual seja, aplicando este valor no redutor de férias, na devolução do valor alcançado, tal qual aplicado no reajuste do ano passado, quando havia ficado em 21,50% (Cláusula 56 - Férias parceladas, parágrafo 3°). Aguardamos posição da empresa.

Sem dúvida, a mobilização e a pressão da categoria podem, sim, conquistar aumento real. É preciso lutar para que a produtividade que a empresa alcança às custas de seus trabalhadores se traduza em salários significativamente melhores. Por isso, atentem: a Campanha Salarial não termina nos 4,17% e continua nos 5%.
 

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