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 Assembleia no Gigantinho, em que professores deflagraram greve. Crédito: CPERS
Essa luta precisa da nossa soliedariedade.
A greve dos professores da rede estadual de educação gaúcha não se limita à questão salarial, embora esta esteja entre as principais reivindicações. Atualmente, o piso salarial de um professor que trabalha 20h semanais está abaixo do salário mínimo (piso está fixado em R$398,00), necessitando de complementação. A categoria e sua entidade representativa, o CPERS Sindicato, exigem nesta greve que o governo do RS pague o piso salarial nacional, fixado em R$ 1.597,00 para 40 horas semanais (este valor é o calculado pela CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. A Advocacia Geral da União - AGU - considera o piso em R$ 1.187,00). Se analisarmos, vemos que é um valor baixo. Além disso, a reivindicação apenas exige que o governo cumpra uma lei federal que já existe. Enquanto isso juízes, parlamentares e governantes definem para si verdadeiras fortunas como salário.
É duro ouvir do governo que não tem dinheiro. A pergunta é: por que o estado, por decisão governamental, está abrindo mão de milhões de arrecadação quando isenta os impostos de grandes empresas, muitas delas poderosas multinacionais?
Muitos professores, para conseguirem aumentar a renda, trabalham até 60h no estado e em escolas privadas. Junte a esse estresse físico e mental a situação precária de infraestrutura e de material nas escolas, salas lotadas (com cerca de 40 estudantes), a falta de segurança, carência de apoio psicológico e pedagógico aos estudantes, número insuficiente de professores empregados. Lecionar, nestas condições, se torna um grande peso, pois é insustentável para quem ensina e para o aluno que quer aprender. Todos os trabalhadores (seja quem dá aula, seja quem estuda e suas famílias) perdem.
Durante o Governo Yeda, parlamentares e integrantes da base do Governo Lula criticaram a não adoção do piso. O governador Tarso Genro, durante a campanha eleitoral, prometeu pagar o piso nacional e, agora pressionado pela greve, diz que vai pagar em quatro anos, mas não aceita negociar com o CPERS esse pagamento. Nesta terça-feira (29/11), CPERS e governo se sentaram para negociar, mas não foi apresentada nenhuma proposta concreta aos trabalhadores. Por isso, a mobilização deve prosseguir.
O Sindppd/RS se solidariza com os professores e o CPERS Sindicato e apoia esta luta. Os trabalhadores da Procergs (empresa de TI do estado do RS) e da Dataprev (empresa federal de TI da Previdência Social) também fizeram uma greve neste ano. Sabemos bem que não é fácil aguentar a pressão do governo e da mídia, que criticam as greves, mecanismo legal de protesto dos trabalhadores. É preciso força para manter a mobilização!
Por que a Reforma do Ensino Médio é uma farsa
A greve dos professores da rede estadual gaúcha também é contra a reforma do Ensino Médio proposta pelo governo Tarso. Essa postura é taxada por comentaristas da imprensa e por muitas pessoas como retrógrada, conservadora, de professores que não querem trabalhar, de professores que não querem mudanças, do CPERS, que é "sempre" do contra.
A reformulação do Ensino Médio, inserindo no currículo muitas matérias técnicas, visa somente formar mão de obra barata para os empresários. Na prática, também dificulta ainda mais o acesso dos filhos dos trabalhadores ao ensino superior. Para que se tenha uma ideia, o 3º ano do Ensino Médio teria apenas uma hora aula de Matemática! Grande parte da carga horária estaria voltada a projetos e estágios com o objetivo de adaptar os alunos ao mercado de trabalho.
Já existem escolas técnicas públicas, tanto estaduais quanto federais, e de qualidade para quem tem interesse. No entanto, o Governo Tarso quer transformar o Ensino Médio "normal" em ensino técnico. Os mais antigos se lembram que a escola pública antes era assim. Se o sistema fosse positivo, teria durado até hoje em dia.
Com essa reformulação, o Governo Tarso esconde os reais problemas do Ensino Médio: falta de investimento na educação e de infraestrutura nas escolas; professores mal pagos e desestimulados. O governo também esconde a realidade de pobreza da população gaúcha e brasileira: afinal, quando divulga dados sobre a desistência e a repetência entre os estudantes do Ensino Médio não menciona que grande parte deles deixa a escola para trabalhar a fim de ajudar financeiramente as famílias ou porque não consegue aguentar a rotina diária dupla trabalho-escola.
Investir na educação e em seus trabalhadores, que são os professores e os funcionários de escola, é investir na construção de um país mais digno e que acredita na construção do saber como uma ação coletiva. Educação de qualidade é um direito da população e uma obrigação do estado.
Sindppd/RS
Com informações do CPERS Sindicato
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