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Após seis meses do terremoto, reconstrução do Haiti ainda não começou PDF Imprimir E-mail
Notícias
Escrito por SINDPPD-RS   
Ter, 13 de Julho de 2010 12:03

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Haiti tem mais de 1,2 mil campos de refugiados, sobrevi-
ventes do terremoto que devastou o país em 12 de Janeiro.

Seis meses depois do terremoto que devastou o Haiti e deixou cerca de 250 mil mortos, o país ainda não começou a ser reconstruído. Em entrevista à BBC Brasil, organismos internacionais apontaram que o excesso de escombros nas ruas é um dos principais sinais da lentidão. Estima-se que o tremor tenha deixado 20 milhões de metros cúbicos de entulho e que apenas entre 5% e 10% desse total tenham sido recolhido nos últimos seis meses.

Segundo o representante da Organização dos Estados Americanos no Haiti, Ricardo Seitenfus, logo depois do desastre, alguns países enviaram máquinas para ajudar na limpeza dos escombros, mas as retiraram pouco depois. Seitenfus estima que a limpeza das ruas pode demorar até seis anos caso o atual ritmo seja mantido.

E o povo do Haiti?

De acordo com dados oficiais do governo haitiano, o número de desabrigados chega a 1,5 milhão de pessoas. Esta população ainda vive em barracas de lona em campos de refugiados, em condições precaríssimas: falta de água potável e de alimentos, roupas, energia elétrica, falta de assistência à saúde.

A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que um dos desafios é a construção de moradias temporárias, pequenas casas feitas sobre estrutura de aço e que podem ser facilmente removidas, se necessário. Segundo a própria ONU, até o momento, apenas 3,7 mil unidades temporárias deste tipo foram construídas no país. A meta é chegar a 125 mil unidades próximo ano. O terremoto no Haiti originou 1.240 campos de refugiados. O governo haitiano calcula que a reconstrução do país deverá custar US$ 11,5 bilhões.

Brasil gasta muito mais com a ocupação militar do que com o povo haitiano


A ajuda financeira do governo brasileiro ao Haiti, chegou a US$ 222 milhões durante estes seis meses. O Itamaraty ainda afirmou que outros US$ 117 milhões estão “prometidos” e deverão ser transferidos por meio de projetos de cooperação, elevando o total da ajuda para US$ 339 milhões, cerca de R$ 645 milhões.

O valor se aproxima da quantia gasta, em seis anos, na manutenção das tropas brasileiras no Haiti, que segundo a ONG Contas Abertas somou R$ 700 milhões no período. Isso mostra a pouca importância que o governo brasileiro dá à população haitiana, que necessita urgentemente de ajuda e não do Exército, que acaba reprimindo os trabalhadores ao invés de ajudá-los. O governo do Brasil, que comanda a Minustah (as forças de paz da ONU), sempre se esmerou em controlar o Haiti e agora, que deveria realmente ajudar os haitianos, pouco o faz.

As outras potências mundias, que historicamente saquearam as riquezas naturais e da mão-de-obra do povo haitino, nem sequer ainda se mexeram para ajudar na reconstrução. Mesmo mantendo o Exército, o Brasil está entre os poucos países (dos 26 que integraram o fundo de reconstrução do Haiti, no mês de Março) que efetivamente realizaram a transferência do dinheiro.

* Com informações da Agência Brasil e da BBC Brasil

 

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