Movimento Sindical debate ações do novo governo

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A partir de janeiro, o Brasil terá um novo governo. A vitória de Lula foi embalada pela expectativa da mudança do povo e movimentos sociais. As promessas de combate à fome, a pobreza e a desigualdade social, firmadas durante a campanha eleitoral, criam no imaginário popular a possibilidade de um novo país.

O problema do governo Lula será conciliar as declarações de campanha com o cumprimento dos acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 2003 devem ser gastos com o pagamento dos juros e amortização da dívida externa cerca de R$ 150 bilhões.

O Brasil é um dos campeões em desigualdade social no mundo. De acordo com o IBGE, 54 milhões de pessoas são consideradas pobres ou indigentes. Ou seja, um terço da população brasileira vivem com um rendimento inferior a meio salário mínimo (R$ 100).

A relação que os sindicatos devem ter como o novo governo e os limites e possibilidades de Lula já são motivos para debate entre o conjunto da esquerda e o movimento sindical.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores, João Felício, reiterou a posição de autonomia da Central e disse que a Entidade sempre foi contrária à Alca. Acrescentou ainda que “a CUT não é o governo. Vamos agir de acordo com nossas convicções”. João Felício declarou que durante o Governo Lula, a Central discutirá um plano de recomposição do salário mínimo. De acordo com Felício, a CUT mudou de opinião várias vezes, inclusive sobre o salário mínimo. O que a Central exigia no ano passado era 100 dólares, cerca de trezentos e setenta reais. Hoje a CUT defende a proposta de um salário mínimo de 240 reais.

Na avaliação do membro da Executiva Nacional da CUT, José Maria de Almeida, “a forma como o governo Lula vem se apresentando fica difícil ser otimista. Lula reiterou o compromisso para o pagamento da dívida externa, de manter o respeito ao acordo com o FMI e também às negociações com a Alca”. De acordo com Zé Maria, a Alca significará a recolonização do Brasil, porque o país estará subordinado ao governo dos Estados Unidos. Almeida afirmou que é incoerente a CUT não continuar defendendo o salário de 100 dólares.

Para o presidente da CUT, João Felício, o Brasil só deve negociar com os Estados Unidos, se pertencer a um bloco de países na mesma situação, ser de 3º mundo, assim como no Mercosul. “Somente um país negociando com o FMI não dá certo”. Felício considera que o rompimento imediato com o FMI levaria a economia à falência. “É preciso preparar o país”, declarou.

Já integrante da Executiva Nacional da CUT, José Maria de Almeida, explicou que se as condições geradas no governo FHC forem mantidas, não há como investir na geração de empregos, educação e moradia. “Os recursos são finitos, explica”.

Para Felício, devem ser buscadas alianças para que a dívida externa seja renegociada. “A dívida externa tal como está colocada é impagável”.

Mercado

Desde de a eleição de Lula, os meios de comunicação anunciavam que o presidente do Banco Central deveria estar de acordo com os fundamentos do mercado. Aconteceu. O presidente do Banco Central é Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Bank Boston e deputado federal eleito pelo PSDB de Goiás. Uma mostra do que os banqueiros e grandes empresários ganham neste país são os balanços apresentados. Neste ano de janeiro a setembro, os bancos estrangeiros lucraram R$ 7,643 bilhões, quase metade do rendimento de todo o sistema financeiro. Os bancos estatais não ficaram para trás, tiveram o resultado esperado depois do pacote de ajuda dado em junho de 2001.

Na opinião de Zé Maria, os recursos que o país tem hoje que poderiam ser usados para gerar emprego e dar condições de vida à população são encaminhados para o pagamento dos juros da dívida, para os banqueiros e os grandes empresários. Isso explicaria o redirecionamento para os bancos de recursos que poderiam ser usados para o melhoramento das condições de vida da população.

Fonte: Carolina Coronel/ Imprensa Sindppd-RS
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