Presidente da Procergs, Ademir Piccoli, entrega balanço à governadora Yeda Crusius./ Antonio Paz / Palácio Piratini A governadora Yeda Crusius anunciou, na semana passada, que a Procergs está saneada e com as contas em dia. No entanto, o choque de gestão que tanto orgulha a governadora foi baseado na terceirização de serviços e na desvalorização dos trabalhadores da estatal.
De acordo com o balanço apresentado, a Procergs conseguiu, nos últimos três anos, colocar suas contas em dia, diminuir o custo da prestação de serviços aos órgãos de governo e aumentar seu faturamento. A direção da empresa ainda projeta, para 2010, um aumento de 8% no faturamento, podendo chegar a R$ 171 milhões.
Todas seriam ótimas notícias, se não soubéssemos como a governadora Yeda e a direção da Procergs trataram as questões da empresa estatal de TI. Baseada na política do choque de gestão, o governo e a direção da estatal negaram aumento salarial aos trabalhadores na recente campanha, tornando os salários da Procergs um dos mais baixos de toda a categoria de TI pública no estado e no país. Nesta gestão os trabalhadores tiveram importantes reduções de cláusulas do acordo coletivo de trabalho e precisaram insistir e lutar muito para garantir minimamente o INPC do período.
Depois de quase 10 anos (o último foi em 2000) Yeda abriu concurso público, mas não contratou trabalhadores suficientes para tornar a empresa apta a tender as demandas do Estado, mantendo os pouco mais de 960 trabalhadores, que são insuficientes para todo o trabalho da Procergs. Pelo contrário: ainda incentivou trabalhadores com planos de demissão.
Mas mesmo assim, Yeda e a direção da estatal disseram, no balanço, que os serviços foram ampliados. Ora, tudo graças à terceirização de serviços! Os trabalhadores terceirizados, com salários mais baixos e condições precárias de trabalho, foram mantidos. Se não bastasse, o governo ainda terceirizou a fábrica de softwares, que foi entregue à multinacional Stefanini, empresa que venceu a licitação. Os resultados são mais trabalhadores terceirizados (deixando de lado os funcionários de carreira da Procergs) e produção de tecnologia que não ficará na estatal, o que num médio prazo trará prejuízos irreparáveis à TI do Rio Grande do Sul.
A Procergs como mera prestadora de serviços
O balanço apresentado na semana passada comprova a visão privatista do governo Yeda em relação à Procergs. Contas são saneadas na base da precarização do trabalho, desvalorização dos funcionários de carreira e do avanço das terceirizações. Serviços importantes são entregues a empresas privadas, fazendo a alegria dos empresários do setor, que vão ganhar bastante dinheiro às custas dos impostos que a população gaúcha paga.
O governo enxerga a Procergs como uma mera prestadora de serviços e não um centro de produção de tecnologia, com profissionais atualizados e muito bem capacitados, como ela realmente deveria ser. A estatal, se tivesse mais funcionários, poderia não só prestar serviços de qualidade como ampliar o planejamento e a execução de políticas e de instrumentos de TI para as instâncias do governo e para o RS em geral.
A quem interessa uma Procergs que não atende todas demandas de TI do Estado, com quadro funcional mal remunerado e insuficiente, repassando os serviços de TI que ela mesma deveria prestar? A quem interessa a descentralização dos serviços de TI, multiplicando despezas de informatização em cada secretaria? A quem interessa o repasse da inteligência dos sistemas de informações públicas do Estado ao setor privado?
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