urna eletrônica. Foto: Nelson Jr./ ASICS/TSE

ELEIÇÕES 2018: São os trabalhadores, organizados e em luta, que podem fazer a resistência para garantir direitos

10 453
image_pdfimage_print

 

Em todos os momentos complexos da vida da classe trabalhadora, o nosso sindicato, assim como muitas outras entidades sindicais e sociais, tem buscado trazer à luz uma posição de alerta. Fizemos isso no processo do recente impeachment e seus significados, que se comprovou no Governo Temer com a consumação da Reforma Trabalhista, a qual surpreendeu o país pelo grau de destruição e rapidez de sua implementação, mesmo com a forte resistência dos trabalhadores com greves geral e marcha à Brasília, em que o Sindppd/RS participou. É natural que nestes momentos difíceis o debate aflore e todos EMITAM SUA OPINIÃO. Assim deve ser numa DEMOCRACIA. Alguns colegas, inclusive, enviaram e-mail ao sindicato com suas avaliações críticas e, também, de concordância.

Temos que lembrar que a história dos trabalhadores brasileiros e de todo o mundo está aí para nos mostrar que NUNCA ganhamos NADA de graça. A melhoria nas condições de trabalho, redução de jornada, aumento de salários e demais direitos dos que temos hoje (e dos muitos que perdemos) foram conseguidos com muita mobilização, abaixo de muita repressão de empresários, de governos e da força policial, que inclusive resultou algumas vezes em perda da vida de trabalhadores.

Assim também aconteceu com os avanços nos direitos das mulheres, na defesa da infância, pelos direitos dos LGBTs, pela igualdade e oportunidade aos negros. Estamos falando de avanços que ocorreram em menos de 200 anos de civilização; aqui no Brasil, as mulheres tiveram direito ao voto apenas em 1932 e, ainda, em pleno século 21, muitas delas recebem salário menor do que o homem na mesma função, precisam sustentar famílias sozinhas e sofrem violência dentro de suas próprias casas. Há 200 anos, crianças trabalhavam em fábricas com 12, 13 horas de trabalho. Há pouco mais de 100 anos, negros eram escravizados, vivendo em condições subumanas; morriam ao serem torturados fisicamente ou de tanto trabalhar. E quando foram “libertos”, NÃO receberam NENHUMA indenização; sem ter dinheiro e onde morar, deram início a boa parte das favelas mais antigas do Rio de Janeiro. Só para dar um exemplo.

Tudo isso, há 200 anos. No máximo, há 4 gerações de nossas famílias. E tudo isso NÃO MUDOU DE GRAÇA. Teve MUITA LUTA ORGANIZADA dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, pelos direitos das crianças. A formação da sociedade brasileira, assim como em todo o mundo, é desigual, e essa desigualdade permanece até os dias de hoje – e, nos últimos anos, cresceu de forma assustadora. Ainda hoje encontramos situações de trabalho análogas ao regime de escravidão.

As eleições são um momento importante, pois seus resultados irão refletir diretamente no cotidiano dos trabalhadores. No entanto, todas as lutas sociais das quais já falamos ocorreram fora dos governos, e foram elas que geraram as mudanças. Por isso, não acreditamos em “salvadores da pátria”, que surgem nas eleições prometendo “livrar o Brasil de todo o mal” e melhorar a nossa vida da noite para o dia. Precisamos refletir com muita tranquilidade sobre tudo isso que estamos vivenciando!

 

 

Haverá novas tentativas de retirada de direitos para aumentar o lucro dos grandes grupos empresariais. Vamos resistir com luta!

É importante que saibamos que, após as eleições, haverá uma tentativa forte de retirada de direitos com a REFORMA DA PREVIDÊNCIA, a TERCEIRIZAÇÃO irrestrita e PRIVATIZAÇÕES das EMPRESAS E SERVIÇOS PÚBLICOS. Estamos sendo bombardeados diariamente com uma FALSA premissa de TIRAR DIREITOS PARA TER MAIS EMPREGOS, e muitos colegas estão dando crédito a este argumento, mas será que isso é verdadeiro? Em países democráticos sempre ouvimos os economistas dizerem que o que faz crescer a economia é o aumento do emprego, dos salários e dos direitos, pois nesta condição as pessoas passam a ter mais poder de compra, o país arrecada mais impostos e sobra mais dinheiro para garantir a aposentadoria, lembram disso?

Mas desde 2017, as manchetes dos jornais passaram a dizer o inverso, e assim foi aprovada a Reforma Trabalhista que permite, por exemplo, que trabalhadores ganhem menos que o salário mínimo com o Contrato Intermitente. O DISCURSO DE QUE MENOS DIREITOS E MENORES SALÁRIOS AUMENTAM O NÚMERO DE EMPREGOS é UMA MENTIRA. Não podemos nos deixar enganar com esta falsa premissa, pois ela só serve para que alguns gigantes conglomerados econômicos passem a ganhar mais dinheiro às custas de uma maior exploração dos trabalhadores.

É bom que saibamos que várias empresas da nossa categoria, da TI, ainda trabalham 44h por semana. Isso é justo? Enquanto os empresários engordam suas contas bancárias? Por que uma parcela dos trabalhadores precisa ter jornada de trabalho extenuante? Sabemos ser humanamente impossível produzir por 8h48min de segunda a sexta-feira. Estudos comprovam que a redução da jornada não diminui a produtividade, e em muitos casos faz até aumentar!

Algum trabalhador vai aceitar perder os poucos direitos que ainda tem por meio da decisão de parlamentares, na maioria corruptos, que ganham mais de R$ 33 mil reais por mês (fora outros privilégios, os ganhos podem chegar a mais de R$ 100 mil) e que não abrem mão de seus polpudos ganhos com dinheiro público? Vamos continuar aceitando que grandes empresários não paguem Imposto de Renda, enquanto nós somos cobrados na fonte? Até quando eles vão tirar nossos direitos e explorar os trabalhadores?

O que pode garantir uma vida digna para os trabalhadores e tirar milhões de pessoas do desemprego e do sofrimento é a MANUTENÇÃO DOS DIREITOS E GARANTIA DE DEMOCRACIA para continuar a luta. Isso já foi provado pela história.

O fato é que, independente do resultado das eleições, o Sindppd/RS estará junto em defesa dos direitos dos trabalhadores, e acreditamos que a categoria estará na defesa desta importante ferramenta, que é o sindicato.

NÃO NOS ILUDAMOS, COLEGAS! O que é REAL é a nossa FORÇA.

 

Por isso, precisamos estar atentos, unidos e mobilizados para defender nossos direitos

 

 

Sindppd/RS

 

sindppd

Ver todos os artigos de sindppd

Similar articles

A seção de comentários no site do Sindppd/RS quer incentivar o debate entre os trabalhadores de TI e o sindicato. Também é um canal de denúncias e informações. Portanto, NÃO SERÃO publicados comentários pornográficos, ofensivos a pessoas ou entidades e nem discriminatórios (racistas, homofóbicos, de gênero ou de classe); que contenham publicidade ou palavras de baixo calão; e nem comentários que façam afirmações caluniosas ou difamatórias, sem terem provas sobre o que está sendo dito. SOMENTE serão publicados comentários com endereços de emails válidos, os quais não serão divulgados.

10 Comentários

  1. Felipe Gonçalves Sandrini 24 outubro, 2018 - 18:17 à 18:17

    Boa tarde!!

    Solicito a retirada da página do portal do sindicato pois esse deve ser imparcial, independente do governo.
    A sua posição se contrapõe a posição política de vários membros filiados a este sindicato, que não são favoráveis e não concordam com a opinião de vocês exposta em sua página!

    • sindppd 25 outubro, 2018 - 12:01 à 12:01

      Boa tarde, Felipe

      não concordar és um direito seu, resguardado pelo sistema democrático brasileiro. Somos independentes de governos e de empresas, mas não somos parciais, pois temos lado e defendemos os trabalhadores da TI e os seus direitos.

      À luta, colega, pois precisaremos estar muito unidos e fortes! Aliás, uma das formas de fortalecer o sindicato é se ASSOCIANDO/ SINDICALIZANDO. Veja como fazer: http://www.sindppd-rs.org.br/ficha.php

      Qualquer dúvida, entre em contato com a Secretaria do sindicato pelo telefone 51 3213-6100 ou e-mail secretariageral@sindppd-rs.org.br

      Contamos com o seu apoio e o de todos os trabalhadores de TI do RS, para que o Sindppd/RS continue firme, organizando nossa categoria em defesa de nossos direitos e por avanços!

      Att.
      Sindppd/RS

  2. analista 25 outubro, 2018 - 15:23 à 15:23

    “…os avanços nos direitos das mulheres, na defesa da infância, pelos direitos dos LGBTs, pela igualdade e oportunidade aos negros…”

    A maioria dos trabalhadores sérios é a favor da IGUALDADE, igualdade não se combate com inversão de desiguadade, branco tinha privilégio “realmente errado” agora para combater “negro terá privilégio previsto em lei”, também é errado, chega de privilégios para todos, não sou contra alguns tipos de cotas quando realmente são SOCIAIS “aos que não tem condições, seja financeira, seja física”, agora por questão de Cor, Sexo, Opção sexual, vir com leis para privilegiar pessoas por conta disso, isso é apenas inverter o lado da discriminação, um branco deixar de assumir uma posição estando mais bem preparado por existir uma vaga reservada para um negro, isso é o cumulo, seria também o cumulo se fosse o contrário.
    #Cota para que tenha ajuda financeira quem não tem condições financeiras para se alimentar e se qualificar para progredir na vida, cota para deficientes que precisam por estar em situação desigual de competitividade.
    #Sem cotas para brancos, amarelos, vermelhos, negros, homens, mulheres, homosexuais, magros, gordos, feios,…. para estas questões as leis tem que ser dautônicas e assexuadas.

    • sindppd 26 outubro, 2018 - 11:28 à 11:28

      Pois é, analista, mas existe o racismo na sociedade e que a cada ano que passa tem sido escancarado cada vez mais. Há empresas que não contratam negros por causa da cor da pele sim, embora não digam isso, pois racismo é crime.

      É comum mulheres serem demitidas após voltarem de licença-maternidade ou devido a faltas, já que precisam levar os filhos para os médicos etc. Tem vaga que, inclusive, a prospecção do RH discrimina, de forma velada, as mulheres que têm filho. Um dos candidatos à presidência já chegou a declarar que as mulheres deveriam receber salário menor porque entram em licença, embora agora mude o discurso. Muitos PLRs de empresas chegam aqui no sindicato querendo retirar do “benefício” as mulheres que estão em licença ou os trabalhadores afastados por problemas de saúde porque naquele momento não estão na empresa, desconsiderando todo o tempo em que eles “ajudaram” a empresa por meio de seus trabalhos.

      Não podemos e nem devemos tapar as discriminações que existem, que não ficam apenas na questão social (pobreza). SE algum dia não existirem mais, quem sabe só um tipo de cotas dê conta, mas não é o que acontece hoje, em nossa opinião.

      Sindppd/RS

  3. analista 25 outubro, 2018 - 15:27 à 15:27

    O grande problema no BRASIL hoje chama-se corrupção, essa corrupção que suga o trabalhador, que não dá condições do trabalhador ter um reajuste digno, lógico de algum lugar tem que sair dinheiro para manter tanto dinheiro que vai para os corruptos.
    Não tem como combater corrupção colocando no poder um membro da quadrilha que comanda a corrupção que domina hoje o país, acordem…

    • sindppd 26 outubro, 2018 - 11:13 à 11:13

      Analista,

      esta é uma leitura que, na nossa opinião, é superficial. A corrupção é um problema sério e que, infelizmente, faz parte do sistema e que, inclusive, alimenta este próprio sistema. Não temos notícia de um único país, na face da Terra, em que não exista corrupção, em maior ou menor grau.

      Achamos que corrupção tem que ser combatida sim, assim vários outros problemas como privilégios e benefícios financeiros a determinadas “castas” do funcionalismo público, sistema de benefício fiscal a empresas que ganham milhões e não geram quase nada de empregos etc. Para sermos justos e coerentes com a realidade e a história, em relação ao PT, este comandou a corrupção que assola o país por apenas 16 anos. Outros partidos comandaram e ainda comandam a corrupção há décadas, inclusive o PP, partido do qual o outro candidato já integrou. Quem ganhar, só conseguirá governar tendo uma base parlamentar composta por esses grandes partidos envolvidos em corrupção. Então, não há santos na história.

      Ao nosso ver, a questão que mais pesa é o baixíssimo salário do trabalhador, que trabalha muitas horas e o que recebe mal dá para viver e sustentar a sua família. Esse dinheiro não está no Estado que dá, mas nos empresários, que não querem reduzir seus lucros para pagar melhor o trabalhador. Aliás, o Estado já dá bastante coisa para o setor privado em termos de benefícios fiscais; empréstimos (via crédito) com juros bem abaixo do que nós, relés mortais, pagamos aos bancos; tarifas mais baixas de energia elétrica e outras tantos mais. Eles dizem que abrir e manter empresa no Brasil com tamanha carga tributária não é fácil; mas ser TRABALHADOR recebendo uma mixaria de salário, que mal dá para se alimentar e se vestir, sem serviços públicos de qualidade (especialmente saúde e educação, mas ainda transporte e segurança) que ajudem a suprir o buraco da falta da dinheiro, e ainda com os direitos trabalhistas sendo reduzidos, sem nenhuma garantia de ter emprego e de conseguir sequer SE MANTER no emprego, é BEM PIOR.

      Algumas questões para reflexão. Nosso lado é o do trabalhador.

      Att. Sindppd/RS

      • Pablo 26 outubro, 2018 - 17:04 à 17:04

        “Para sermos justos e coerentes com a realidade e a história, em relação ao PT, este comandou a corrupção que assola o país por apenas 16 anos”

        Pobrezinho do PT … roubou só por 16 anos … isso ae vamos dar + uns 10 anos pra eles roubarem ….

        • sindppd 30 outubro, 2018 - 13:43 à 13:43

          Nossa colocação não foi neste sentido, Pablo. Achamos que o PT deve ser responsabilizado e pagar pelo seu envolvimento na corrupção e nos desvios de dinheiro, obras superfaturadas etc.

          Nosso objetivo é de questionar esse sentimento de “moralidade seletiva” adotada por uma parcela da população, que não consegue (ou não quer) enxergar que o PT não é único partido envolvido com corrupção, assim como o sistema corrupto existe antes do PT ter chegado ao poder. Que sejam todos os envolvidos responsabilizados e criminalizados, e não apenas o PT que, embora tenha se descolado muito da classe trabalhadora e tenha feito reformas que nos atingiram, é bastante associada a ela por setores econômicos e sociais que querem retirar, cada vez mais, nossos direitos. E nesse sentido, grande parte dessas pessoas indignadas com o PT não estão a favor dos direitos dos trabalhadores e querem, inclusive, rebaixar ainda mais nossos salários e precarizar as condições de trabalho.

          Achamos que se querem realmente fazer uma “caça” à corrupção, que seja contra todos os partidos e políticos envolvidos, e não apenas o PT.

          Att. Sindppd/RS

  4. Augusto 31 outubro, 2018 - 13:56 à 13:56

    Aqui é sempre assim: O governo Collor, o governo Temer, o Governo FHC. E referente aos petralhas nada … O duro é usar do recurso de todos nós para campanha política. Cada vez me convenço mais de que este sindicato não me representa. Não tem absolutamente NADA que é feito que me agrada nos últimos 10 dissídios. Se não for mais …

    O sindicato é de todos sendo Haddad ou Bolsonaro e por isso não pode em hipótese alguma tomar partido de um dos lados em nome de TODOS.

    • sindppd 1 novembro, 2018 - 11:47 à 11:47

      Temos VÁRIOS textos de crítica e de denúncia dos governos do PT. Já fizemos GREVE durante governos do PT. Sugerimos que se dê um pouco o trabalho e procure aqui no site, Augusto, se tiveres interesse e se quiseres debater, o que achamos saudável.

      Agora, se a intenção é registrar teu posicionamento, está feito.

      Att. Sindppd/RS

Faça um comentário

Seu email não será publicado. *

Visite-nos

Rua Washington Luiz, 186 - Bairro Centro - Porto Alegre - RS - CEP 90010-460

Telefones do Sindppd/RS:
Geral - (0xx51) 3213-6100
Secretaria - (0xx51) 3213-6121/ 3213-6122
Tesouraria - (0xx51) 3213-6117

E-mail: secretariageral@sindppd-rs.org.br